ah! os aviões que partem de mim...
gostaria de saber
instantâneamente
tudo.
sobre o que fica longe
fica perto
o pão primitivo cereais
com vénias à fuga
dos ventos.
os domínios da noite
a perturbação
dos lobisomens nas cinzas as tribos
no descanso aparente das armas e dos ossos.
E o tarot nas mãos, e na mesa.
Mais,
as inumeráveis ciências
observando
classificando
e medindo o ritual
da morte.
A morte,
usa pequenas águias degoladas
dependuradas
ao pescoço.
Segue-se a lanterna gigante
no calendário entre lume e gelo das cozinhas.
É a hora do dragão
num qualquer
país vincado ao mapa.
Rastejam então as bruxas em entre-instantes
em valas medievais
em tempos expulsos
da geometria dos homens que avançam
por entre vigílias de símbolos.
Os homens só vêem os gritos só
o chicote
dizem aos filhos
em refúgio
nos alarmados olhos das osgas:
"podeis caminhar
por toda esta enorme casa
e nela fazer
tudo o que quiserdes.
No entanto, prestai atenção:
não abrireis nunca esta porta.
Para além dela jaz
um terrível segredo -
um segredo todo ele negro todo ele baço.
E quem a abrir
nunca mais por ela sairá."
As crianças dormem
no suspiro das mães infinitas...
e o tarot move
as mãos a tarântula
move castelos
agarrando-se a penhascos move
o contorno da memória.
As máquinas, a produção,
passos, teorias,
as pessoas avisando
a sua chegada;
à lava inconscientes
aos subterrâneos violentos
nas artes do fogo que pulsam
e tramam a paz.
É a exaltação do dia
e há menos uma ave em detrimento
na falésia
menos um índio
mais uma voz;
há a fala a traição
em que se cria a estatística
da exacta frequência de som das mais
cruéis palavras.
É a Terra e é o homem.
E tudo é fascinante e para além disso
o espaço.
16.10.84
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