É meu!

É meu!
Pare com o roubo de conteúdo!

Sunday, October 29, 2006


THE BEATLES- O SEU SENTIDO DE HUMOR


Em 1994, fiz uma pequena recolha e tradução de famosas réplicas humorísticas por parte dos quatro elementos dos Beatles – John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr – muitas das quais nas inúmeras conferências de imprensa em que participaram durante os anos sessenta, na fase anterior ao lançamento do LP Seargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Como disse Bill Harry em “The Unique Humour of the Beatles” “…tinham um estilo de comentário vivaço que era só deles, embora derivasse em parte da área de onde eram originários – Liverpool – que tem sido o berço de tanta gente espirituosa. (…) Eles saíam-se tão bem com uma réplica engraçada como os melhores comediantes de Liverpool, mas acrescentavam ao seu tipo de piadas uma pitada extra que provinha directamente das suas personalidades. (…) Tornaram-se adeptos de respostas tão devastadoras que ganhavam sempre o dia (…). Quando confrontados com uma série de clichés, viravam-nos às avessas e de cabeça para baixo!” Naquele tempo, também Maureen Cleave, jornalista no Evening Standart, comentou: “Ou eles têm como empregado o mais maravilhoso dos comediantes escondido ou Bob Hope deveria contratá-los sem perda de tempo.” O próprio New York Times rendia-se ao seu charme: “O humor dos Beatles foi contagioso. Toda a gente desatou a rir. Os fotógrafos esqueceram-se de tirar as fotografias que queriam.”





Beethoven surge numa das vossas canções. Que pensam vocês de Beethoven?
Ringo: É óptimo. Especialmente a sua poesia.

Acreditam nesta demência?
Ringo: Sim, é saudável.
Mas não se sentem embaraçados com toda esta demência?
Ringo: Não, é louco.

Pensam que é errado dar um exemplo tão mau aos adolscentes, a fumar da maneira que vocês fumam?
Ringo: É melhor do que sermos alcoólicos.

Que pensam da crítica que afirma que vocês não são muito bons?
George: Não somos.

Qual julgam ser a razão pela qual são o grupo musical mais popular hoje em dia?
John: Não fazemos ideia. Se fizéssemos, arranjávamos quatro rapazes de cabelo comprido, juntávamo-los e tornávamo-nos nos seus managers.

Admitiram ser agnósticos. E também são irreverentes?
Paul: Nós somos agnósticos, por isso não há razão para sermos irreverentes.

Que pensaram quando o vosso avião começou a deitar fumo ao aterrarem hoje?
Ringo: Beatles, mulheres e crianças primeiro!

Planeias casar com a Jane Asher?
Paul: Não tenho planos. Mas toda a gente diz que tenho. Talvez saibam mais. Dizem que sou casado e tenho cinquenta filhos, por isso também tu o podes fazer.

Como começou o teu hábito de usar quatro anéis ao mesmo tempo?
Ringo: Seis seriam demasiado pesados.

Porque achas que recebes mais correio das fãs do que qualquer outro do grupo?
Ringo: Sei lá. Julgo que é porque mais pessoas me escrevem.

Tens muitos encontros?
Ringo: O que é que vais fazer hoje à noite?

Vocês costumam brigar uns com os outros?
John: Só pela manhã.

Ao chegar à América…
Que tal estas boas vindas?
Ringo: Então isto é a América. Parecem todos doidos.

Esperam levar alguma coisa convosco para o vosso país?
Ringo: O Rockefeller Center.

Qual é a vossa mensagem para os adolescentes americanos?
Paul: A nossa mensagem é… comprem mais discos dos Beatles.

Qual é a vossa reacção à opinião de um psiquiatra de Seattle que diz que vocês são uma ameaça?
George: Os psiquiatras são uma ameaça.

Quais são os vossos programas preferidos da televisão americana?
Paul: ‘News in Espanhol’ de Miami. Popeye, Bullwinkle. Todos esses programas culturais.
John: Eu gosto da televisão americana porque porque há dezoito estações, mas não há um único programa bom em nenhuma delas.

Há uma campanha ‘Destruir os Beatles’ em Detroit. Que vão vocês fazer quanto a isso?
Paul: Vamos começar uma campanha para destruir Detroit.

Que fazem vocês quando estão engaiolados num quarto de hotel entre dois espectáculos?
George: Patinagem no gelo.

Paul, que pensas tu do colunista Walter Winchell?
Paul: Ele disse que eu era casado e eu não sou.
George: Talvez ele queira casar contigo…

Como acharam a América?
Ringo: Fomos até à Gronelândia e virámos à esquerda.

Gostariam de caminhar pelas ruas sem serem reconhecidos?
John: Costumávamos fazê-lo sem dinheiro nos bolsos. Não tem interesse nenhum.

Que é isso de adoeceres anualmente, George?
George: Apanho cancro todos os anos.

Quando fazem uma nova canção, como decidem quem será o cantor principal?
John: Juntamo-nos todos e aquele que souber melhor a letra fica o cantor principal.

Que tal é a sensação de enganar o mundo inteiro?
John: Que tal é a sensação de ser enganado?

A adulação das adolescentes afecta-vos?
John: Quando começo a sentir-me inchado, olho para o Ringo e fico perfeitamente ciente de que não somos super-homens.

Que acham vocês de um night club, “Arthur”,cujo nome é o mesmo do vosso penteado?
George: Eu fiquei orgulhoso – até que vi o night club.

Vocês ficam ressentidos por as fãs rasgarem os vossos lençóis como recordação?
Ringo: Não, não me importo. Desde que eu não esteja neles enquanto elas os rasgam.

BBC: Os franceses ainda não se decidiram acerca dos Beatles. Que pensam vocês deles?
John: Oh, nós gostamos dos Beatles. São bestiais.

Vocês gostam de fatos de banho topless?
Ringo: Aos anos que nós os usamos!

Ficaram preocupados com os rufiões altíssimos que tentaram infiltrar-se na multidão do aeroporto à vossa chegada?
Ringo: Esses éramos nós!

Que farão quando a Beatlemania amainar?
John: Contar o dinheiro.

Alguma vez aceitariam uma rapariga no vosso grupo se ela soubesse cantar, tocar um instrumento e usar o penteado Beatle?
Ringo: Quanto é que ela mede?

Quem inventou o nome Beatles?
Paul: Eu.
Porquê?
Paul: Porque não?



Vocês não estão cansados de toda esta mistificação? Não preferiam sentar-se sobre as vossas recheadas carteiras?
Paul: Quando nos cansamos tiramos férias recheadas à custa das nossas recheadas carteiras.

Porque é que vocês foram recusados pela Imigração?
John: Tivemos de ser despiolhados.

Vocês preocupam-se por fumar em público? Não pensam que será um mau exemplo para os vossos fãs mais novos?
George: Nós não damos exemplos. Fumamos porque sempre fumámos. Os miúdos não fumam porque nós fumamos. Fumam porque querem. Se nós mudássemos estaríamos a ser falsos.
Ringo (segredando): Nós até bebemos!

Quem é que os Beatles gostariam de conhecer mais do que ninguém no mundo?
Ringo: O verdadeiro Pai Natal.

Paul, tu pareces-te com o meu filho.
Paul: Tu não te pareces nada com a minha mãe.

A vossa popularidade começa a diminuir?
Paul: Concordo que a nossa popularidade atingiu um cume. Mas também concordei com um homem que disse a mesma coisa no ano passado. E estávamos ambos errados.

Falas francês?
Paul: Non.

É verdade que nenhum de vocês sabe ler ou escrever música?
Paul: Nenhum de nós sabe ler ou escrever música. A maneira como trabalhamos é assim, nós assobiamos. O John assobia para mim e eu assobio para ele.

Têm algum conselho especial para dar aos adolescentes?
John: Não apanhem acne.

Se eras mau em matemática como é que contas todo o dinheiro que ganhas?
John: Eu não o conto. Peso-o.

É verdade que usaram uma palavra de quatro letras para os turistas nas Bahamas?
John: O que nós dissemos mesmo foi “Céus!”
Paul: Também podemos ter dito “Credo!”
John: Não podemos ter dito isso, Paul. Mais do que quatro letras.

Desculpem interromper enquanto comem, mas que pensam que estarão a fazer dentro de cinco anos quando isto tudo acabar?
Ringo: Ainda a comer.

Que pensam da afirmação do leader duma banda, Ray block, que diz que os Beatles não durarão um ano?
John: Provavelmente duraremos mais do que Ray Block.

Porque é que foram os Beatles, e não duzentos outros grupos, que tiveram êxito?
Ringo: Às vezes também tento ver se percebo isso.

Porque é que os quatro Beatles não cantam nunca todos juntos?
George: Bem, pelo menos tentamos começar juntos.

És um mod ou um rocker?
John: Sou um mocker (gozão).

O sucesso estragou os Beatles?
Paul: A melhor coisa quanto a isso é que se deixa de ter grandes preocupações quando se tem o que nós temos – só pequeninas, como se o nosso avião se vai despenhar ou não.

O que é que planeiam fazer depois disto?
Ringo: O que é que há mais para fazer?

Que desculpa têm para esse cabelo comprido até aos colarinhos?
John: Bem,é que nos cresce da cabeça para fora.

Qual de vocês é mesmo careca?
George: Somos todos carecas. E eu sou surdo-mudo.

Quem vos penteia quando estão em Paris?
John: Ninguém nos penteia quando estamos em Londres.
Mas de onde vieram esses penteados?
John:
Você quer dizer despenteados.

Vocês usam perucas?
John: Se usamos, devem ser as únicas com caspa verdadeira.

Que pensam dos adolescentes que vos imitam a usar perucas Beatle?
John: Não nos estão a imitar porque nós não usamos perucas Beatle.

Vocês usam perucas ou cabelo verdadeiro?
George: O nosso cabelo é verdadeiro. E o seu, minha senhora?

O vosso cabelo necessita de alguma atenção especial?
John: Desatenção é o principal.

Qual é a maior ameaça às vossas carreiras, a bomba atómica ou a caspa?
Ringo: A bomba atómica. Caspa já nós temos.

Ringo, porque usas dois anéis em cada mão?
Ringo: Porque não consigo enfiá-los no meu nariz.

Paul, qual foi a canção mais curta que composeste?
Paul: 65 cm.

John, como está o teu pai e o seu cavalo de corrida? O cavalo já ganhou alguma corrida?
John: O cavalo ganhou uma corrida e o meu pai ganhou outra – venceu o cavalo.

George: Lembras-te daquela casa em que ficámos em Harlech?
Paul: Não. Qual delas?
George: Lembras-te sim! Havia uma mulher que tinha um cão sem pernas. Ela costumava levá-lo a dar um deslize pela manhã.

Durante o Royal Command Variety Performance no Teatro Prince of Wales em Piccadilly Circus com a Raínha Mãe e a Princesa Margarida presentes…
John: No próximo número quero que se juntem a nós. Aqueles que estão nos lugares baratos batam palmas. Os restantes podem fazer chocalhar as jóias.

No primeiro encontro com o manager Brian Epstein na NEMS, Paul não compareceu à hora marcada e George foi telefonar-lhe a saber o que se passava. Após o telefonema, explicou que Paul acabara de se levantar e estava a tomar banho.
Brian Epstein
: Mas isto é uma desgraça! Ele vai chegar muito atrasado!
George: E muito limpo!

No primeiro encontro com o produtor George Martin nos estúdios da Abbey Road...
George Martin: Digam-me, por favor, se há alguma coisa que não vos agrade.
George: Bem, para começar, não gosto da sua gravata.

Quando se encontraram com Jayne Mansfield, que era excepcionalmente bem dotada de peito, ela pegou no cabelo de George e perguntou:
- É verdadeiro?
George baixou o olhar e inquiriu:
- São verdadeiras?

Dirigndo-se às fãs…
Ringo
: E para que não comece toda a gente a escrever montes de cartas a perguntar acerca os emblemas que se vêem a serem usados por nós quando estávamos no palco, deixem-me dar-vos a resposta antes que façam a pergunta – são emblemas Wells Fargo Agent genuínos. Ofereceram-nos quando íamos para um concerto num camião Fargo. O John pôs o dele na parte de trás do boné.
John: Não senhor. Eu tinha era posto a minha cabeça de trás para a frente nesse dia.

Dirigindo-se à audiência em Nova Orleães…
John: Gostaríamos que agora se juntassem a nós – quer dizer, aquelas de entre vocês que ainda estiverem vivas.

Acerca do seu primeiro livro, “In His Own Write”
John: As pessoas tanto se fartaram de dizer que eu estava a copiar o James Joyce que decidi lê-lo. Foi fantástico. Levei meio dia a ler meio capítulo mas foi como encontrar o papá.

Quando o avião em que se encontravam ameaçava cair…
John: Nada a temer, rapazes! O avião só tem cinquenta anos!

Sobre a digressão na Suécia…
Richard Lester: Gostaste da Suécia?
John: Era um quarto e um quarto e um carro e um quarto e um quarto e um carro…

Após ter saltado para a piscina de um hotel, vestido apenas com uma camisola…John: Tragam-me uma gravata que me sinto nú!

1994

3 comments:

Nuno said...

Okawa: partilho consigo o entusiasmo pelos Beatles e sua música e estou muito agradecido por estas pérolas de humor que recolheu e divulga. A Life de Fevereiro de 1984, evocando a digressão pela América de 1964, publica 20 destas respostas que designa "Sassy words that astonished América". Como hoje é dificil encontrar esse número da Life terei gosto em partilhar essa informação, se nisso achar interesse. Nuno

Okawa Ryuko said...

Olá! Obrigada pelo comentário. Tenho uma colecção de livros e revistas sobre os Beatles, reunida desde os meus 12, 13 anos. Apenas quis traduzir as tiradas humorísticas que considero mais bem conseguidas e não fazer uma recolha exaustiva. De qualquer modo, muito obrigada!

Anonymous said...

Os «imortais» Beatles são na realidade dos músicos que mais aprecio. Tanto é que ainda hoje ao voltar a ouvir qualquer das suas peças é como se as tivesse a ouvir pela segunda ou terceira vez. Este ano tive o prazer de passar em Londres na passadeira junto aos Estúdios Abbey Road, a tal da foto do disco, precisamente no dia em que se comemoravam 39 anos sobre a célebre imagem. Portanto foi com muito gosto que li a sua crónica
sobre o 4 de Liverpool. Um bom fim de semana -Palma -Louletania